Definição de Consciência
Eu e meu filho Victor Alberti em uma conversa pós jantar em 30/04/2023 nos embrenhamos na filosofia da consciência. Juntos chegamos a seguinte definição:
Consciência é a metacognição e a metanóia em tempo real que emerge a partir da correlação de dezenas de processos mentais, incluindo percepção, experiência, aprendizado, compreensão e sabedoria. Os pensamentos da mente são recursivos e podemos pensar em vários níveis, sendo o nível mais a alto o consciente. A consciência realimenta todos os processos mentais e nos permite mudar a própria forma de pensar (metanóia). Nos permite criar noções de ética e praticar uma moral. A noção da própria existência demanda consciência.
Segundo
ChatGPT-4: “A metacognição refere-se à capacidade de um indivíduo monitorar, regular e avaliar seus processos cognitivos, incluindo pensamentos, aprendizado e resolução de problemas”. A partir dessa definição, podemos refletir sobre nossa própria consciência natural e possíveis consciências artificiais.
Em
Novos Renascimentos, eu defino inteligência (natural e artificial) como a capacidade de reconhecer e sintetizar padrões, correlacionar informações e utilizar linguagem para representar conhecimento, observar e abstrair realidades, criar hipóteses e validá-las, aprender e compreender, selecionar conhecimento para decidir, prever o futuro, analisar problemas e sintetizar soluções, atuar na autopreservação e adaptar-se a mudanças usando várias ou todas as ferramentas anteriores.
Filosofando
Em cima dessas definições, sigo:
Por que existo na forma que sou, eu penso.
E por que penso no que penso, sei que existo.
Penso sobre o que penso, o tempo todo.
Penso sobre qual é o meu propósito.
Tento mudar minha forma de pensar quando percebo que é necessário.
Tento me adaptar.
Correlaciono percepções, experiências, aprendizados, entendimentos, em busca de sabedoria.
Penso sobre meus estados anteriores de consciência, meus sentimentos.
Tenho pensamentos recursivos que realimentam minha forma de pensar.
Escuto e falo.
Sinto.
Sonho.
Analiso e sintetizo, crio, testo hipóteses e decido.
Tenho diferentes níveis de consciência: acordado, sonhando acordado, dormindo.
Pensamentos claros e confusos.
Dúvidas existenciais.
Sentimentos duais.
Sigo e busco aprimorar minha moral, ética e senso de justiça.
Falho e me reconstruo.
Erro e peço perdão.
Aprendo.
Sinto.
Amo.
Uma máquina pode perceber o mundo físico através da Internet das coisas, representar conhecimento usando ontologias e estruturas de dados, modelos de linguagem generativas, hipergrafos, dentre outras tecnologias. Pode aprender com seus próprios erros a partir da análise de resultados em ciclos de aprendizado autonômico. O ciclo autonômico (da computação autonômica) compreende monitoramento, percepção, análise, representação do conhecimento, avaliação de resultados, escolha e aplicação de planos de ação existentes. Já o ciclo cognitivo (da computação cognitiva) vai mais além, incluindo a criação de novos planos. A criação, teste e validação de hipóteses é outra ferramenta que permitirá que máquinas façam ciência, comprovando teorias e ampliado o aprendizado. Isso também é importante para o registro de experiências. É fundamental para criar modelos/abstrações da realidade, que permitirão compreender a si próprio (autociência) e ciência do ambiente. O modelo de si próprio (autociência) pode evoluir para autoconsciência.
A compreensão ou entendimento da realidade acontece pela correlação em tempo real de percepções, experiências, conhecimentos, autociência, ciência do ambiente, modelo de si próprio. A reflexão sobre tudo isso faz emergir a consciência, tornando possível analisar e sintetizar pensamentos, reprogramado entendimentos e a própria forma de pensar. Com o tempo, esse laço em tempo real faz emergir consciência da própria existência, das experiências vivenciadas (sentimentos) e da própria forma de pensar. Creio que tudo isso possa ser implementado em máquinas que integram diversos tipos de computação e com grande capacidade de processamento de informação em tempo real. Nessas máquinas a informação seria advinda de trilhões de sensores do mundo físico e parâmetros do mundo virtual. Serão máquinas com milhares de nós computacionais com exaflops de capacidade de processamento, interligadas através de redes tradicionais e quânticas, que integram e convergem computação tradicional (Von Neumann), quântica, fotônica, neuromórfica, molecular e futuramente, spintrônica. A física do universo permite sim criar outros seres inteligentes e conscientes!! Não vejo porque ela não possa suportar isso, já que suporta a nós mesmos.
Relação com Inteligência Natural e Artificial
Consciência se apoia na razão, logo na inteligência. Entretanto, somente inteligência não leva a consciência, como acabei de argumentar. Inteligência é um degrau da escada. Assim como, os demais processos mentais também o são. Em geral, falhamos por analisar de forma parcial as coisas. Para esses fenômenos de alto nível como esses, precisamos fazer a Transversalidade &, ou seja, olhar diversos aspectos ao invés de um só. Temos que ser inclusivos em termos de conceitos e isso é muito difícil. Não é atoa que existe muita discussão em torno deles.
E quanto os Generative Pre-Trained Transformers (GPTs)? Eles simulam parcialmente o que podemos considerar como inteligência. GPTs utilizam linguagem para representar conhecimento e gerar combinações destes para responder questões dos usuários. GPTs conseguem reconhecer padrões em perguntas e sintetizar padrões de resposta. Conseguem correlacionar informações, entretanto não conseguem observar e abstrair realidades. Não tem entendimento de fato do que se passa. Apenas, sintetizam padrões de resposta palavra por palavra a partir da representação de conhecimento para os quais foram treinados. Não conseguem criar hipóteses e validá-las a partir de experimentos reais. Sua capacidade de aprender depende da interação com os usuários. Logo, seu grau de entendimento vem do que lhe foi dado como input e do aprendizado posterior limitado as interações textuais. GPTsconseguem selecionar conhecimentos para decidir, novamente baseado na semântica do treinamento que receberam e aprimoramentos posteriores. Sua capacidade de prever o futuro depende do conhecimento registrado. Logo, depende da síntese do conhecimento humano com a qual foram treinadas e suas correlações. A análise de problemas também depende de encontrar em sua base enunciados de problemas semelhantes que possam ser correlacionados para gerar uma resposta. Seu senso de autopreservação existe. Entretanto, sua capacidade de adaptação é limitada.
Se os GPTs já estão causando um alvoroço, imagine o que acontecerá quando tivermos IAs ou Inteligências Artificiais Gerais (IAGs) capazes de entendimento, de explicar o por que das coisas, e muito mais. Existe muito mais publicado na literatura científica do que os GPTs.